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quarta-feira, 18 de julho de 2018

As dores e delícias de mudar de país - O planejamento






Tomada a decisão de comum acordo, eis a parte que até então, seria a mais complicada: planejar tudo nos mínimos detalhes (são tantos, que fiz um resumão pra compartilhar).
Hoje eu digo, que é a mais trabalhosa e cautelosa, primeiro por termos que providenciar muitos documentos e segundo, porque devemos nos assegurar do que realmente é necessário e imprescindível; mas não a classifico mais como complicada...em uma postagem futura esclareço isso!

Na questão planejamento, o que levamos em conta:
  1. Despesas - realmente nossa renda seria suficiente para obtermos a tão desejada qualidade vida, dentro daquilo que nosso padrão a classifica como tal? Nesse item de despesas, agrupamos: rendimentos, gastos mensais (habitação/alimentação/estudos/lazer/saúde), documentação, mudança (passagens, bagagens, etc)
  2. Estudo dos filhos - algumas universidades portuguesas aceitam as notas do ENEM para a candidatura de alunos brasileiros; daí vale pesquisar pelo curso de interesse e ir atrás das informações para inscrição e, dada a aprovação, mais uma pesquisa para colher informações necessárias para matrícula/alojamento. Para alunos de educação infantil e secundária, comprovante de matrícula brasileiro + histórico escolar dão direito à educação básica desde que analisada a equivalência. Não é tão simples quanto parece, e vale lembrar que o ano letivo da Europa começa em períodos bem diferentes dos nossos!
  3. Bens materiais -  vai variar muito de caso para caso; vender ou alugar o que vai ficar no Brasil também deve ser decidido conforme as intenções e necessidades de cada um. Bens menores, como roupas, eletrodomésticos, livros, fotos, sapatos, louças também é pessoal, mas apenas para acalmar a curiosidade: vendi algumas coisas (minha batedeira, por exemplo), doei um outro tanto de coisas, deixei para familiares mais próximos objetos de  valor sentimental e outros de maior valor que não são vendidos facilmente.
  4. Onde morar -Alugar? Comprar? Airbnb? Hostel? Hotel? Outro longo tema de estudo. Optamos por alugar, até que realmente estejamos seguros de que aqui será nossa morada definitiva. Mesmo porque, não conhecemos Portugal de cabo a rabo para termos tanta certeza de onde queremos investir. 
  5. Estudar - sim, estudar a vida. Isso foi fundamental. É fundamental. Independente de mudar de país, estudar nossas vidas é algo que todos devemos fazer, diariamente. 
Quero lembrar que tudo o que relato aqui, foi nossa experiência em mudar de país com o Visto D7, um visto criado depois de um acordo entre Portugal e Brasil, concedido para aposentados que tenham renda comprovada conforme estabelecido nesse acordo. Ou seja, todo nosso planejamento foi feito com base nesse visto, os direitos que ele nos dava, as obrigações que teríamos a cumprir, e tudo aquilo que descobrimos no período entre decidir por deixar o Brasil até o dia de hoje.

Muitos perguntam:
  •  "E os documentos? Difícil de tirar?" - difícil era antigamente que não existia Google para ajudar nas pesquisas e será se você não se dedicar ao seu propósito de ir atrás de todo o material necessário ou não se propuser a bancar uma consultoria séria.
  •  "É caro tirar essa documentação?"- barato não é. O apostilamento de Haia pesa sim no bolso ( em torno de R$ 105,00/ 23,30€ por documento) e é de extrema necessidade! Há também outras despesas, como a do passaporte, caso você não o tenha ainda. Por isso que o planejamento é um fator tão importante.
  • "É tudo tão fácil e maravilhoso quanto muitos sites/blogs falam?"Nem tão fácil, nem tão maravilhoso"... sabe quando falei nas linhas acima sobre estudar a vida? Pois é, nem tudo é tão simples. Relações humanas, sentimentos, hábitos e costumes são muitos pessoais para eu te dizer "vem que você vai amar". Não sei se você vai amar. Quer uma experiência própria? Eu não gosto de tudo o que a gastronomia daqui oferece; meu marido, sim. Entenderam? Ah, a comida é ruim? Não, ela simplesmente não agrada sempre o meu paladar (assim como a brasileira também não me agradava nos quatros cantos do Brasil)...mas parece que em tempos de tanta exposição virtual, podemos mostrar apenas o que é perfeito, bonito, glamouroso, maravilhoso, politicamente correto... O que eu posso dizer, é que por enquanto tudo tem parecido sim mais fácil do que era no Brasil, e principalmente mais seguro. Por vezes, tenho a impressão de as 24h que voavam no Brasil, levam um pouco mais de tempo para passarem aqui. Parece-me que estou indo pelo caminho certo do meu pote de ouro: a tal qualidade de vida. 
Para a próxima postagem sobre essa saga de mudança de país, vou falar mais sobre as experiências da chegada , da mudança propriamente dita, das impressões e experiências vividas nas primeiras semanas em Portugal. 

Um comentário:

  1. Sensacional seu depoimento. Da pra tirarmos idéia do que passaram e passam ae...isso auxilia e muito a quem tem o pensamento em sair do país.

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